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O deserto florescerá

Há algum tempo atrás eu estava em Chigallante, uma cidade vizinha à Concepción, no Chile. Eu havia dado uma entrevista à uma rádio de lá, e acabara ministrar em um evento de missões urbanas. Estava muito feliz! De lá seguiríamos com um grupo de missionários até a cidade de Temuco, no extremo sul daquele país.

Semanas antes, quando ainda estávamos em Santiago, recebemos ameaças de bruxos locais, dizendo que nós não sairíamos com vida caso entrássemos em Temuco. Ao deixar Concepción nos oramos ali mesmo, no terminal rodoviário e embarcamos rumo ao Sul... Horas depois, quando o ônibus cruzou a fronteira, imediatamente rodou na estrada com todos os passageiros dentro - e cito isso, pq. na hora eu sabia que era por nossa causa. Em alguns minutos chegaria um novo ônibus para seguir com a viagem, mas durante a transferência, eu fui roubado; perdi minha bagagem de mão com todos os meus pertences, dinheiros, medicamentos, objetos pessoais e minhas câmeras de foto e vídeo, juntamente com todo o registro das primeiras 3 semanas de viagem.

Chegando em Temuco, fui recebido por um irmão, que hoje considero como família; falo de Alejandro Molina, o Jano, que rapidamente tomou todas as providências e me encaminhou à base do ministério “Nueva Alianza Misionera”, naquela tarde, toda a recepção que nos foi preparada tomou um ar de cansaço e tristeza, era a primeira vez longe de casa por mais quase 1 mês, e um esgotamento espiritual tomou conta de minha vida naquela tarde de dezembro. Um dos pastores me procurou e me perguntou em bom inglês: - O que quer que eu te faça? – respondi de pronto, que queria apenas um lugar reservado para orar e chorar.

Caiu a noite e eu me lembro de estar colocando nossos instrumentos numa Van quando uma jovem entrava pelo estacionamento gritando –O pastor está chamando os brasileiros!. Rapidamente entramos por uma porta da Igreja e quando me dei conta, estava na entrada lateral do altar. O pastor nos apresentou àquela congregação, que sabia contra quem estávamos lidando. Aquela cidade era tida como um antro de feitiçaria, e aquela igreja, que já havia sofrido com um incêndio, agora orava por nós. Era algo tão forte que, fisicamente eu sentia ventar...não era uma brisa, mas vento.

De lá seguimos até um local chamado Práxis, onde ministraríamos dentro de um bar noturno. Havia um forte esquema de segurança em função de nossa presença e das ameaças e eu estava no camarim quando uma jovem, um tanto suja, se aproximou da porta, ela disse que queria tirar uma foto conosco, assim, pedi ao segurança que permitisse sua entrada, e bastou ela pisar naquela sala para que caísse endemoniada. Levamos alguns minutos para expulsar aqueles espíritos malignos, na hora eu não sabia se orava em português, inglês ou no espanhol que pouco falava. Segui para o palco deixando aquela jovem sentada em uma cadeira, descansando, mas quando começamos a tocar, outro espírito tomou posse daquela jovem, imobilizando-a e gritando: - Façam eles parar! – Parem essa música!

No final dos trabalhos eu a encontrei chorando naquela mesma sala, tentei com meu pobre espanhol compartilhar o que eu havia entendido naquele mesmo momento: -Deus teve um grande trabalho em me trazer até aqui, e Ele fez isso apenas por sua vida! – Eu ainda não sabia se alguém mais se converteria, mas naquele momento eu orei por ela e mais tarde voltei à Santiago.
Dois anos mais tarde, já de volta ao Brasil, recebi a visita de Jano, que me trazia uma grande notícia. Aquela jovem se chama Isabel Chabe, e é hoje uma grande evangelista no Chile, e tem testemunhado, que um dia, no pior lugar onde ela poderia estar, sobre o mais árido deserto, Deus a encontrou para dar ela a salvação e amor, que hoje ela insiste em semear em novos solos, para a honra e a glória de Deus.

Como dizem as Escrituras Sagradas: "Todos os que pedirem a ajuda do Senhor serão salvos." Mas como é que as pessoas irão pedir, se não crerem nele? E como poderão crer, se não ouvirem a mensagem? E como poderão ouvir, se a mensagem não for anunciada? E como é que a mensagem será anunciada, se não forem enviados mensageiros? As Escrituras Sagradas dizem: "Como é bonito ver os mensageiros trazendo boas notícias!"
-Romanos 10:13-15-


Que Deus possa estar à frente de nossos passos;
Evandro

Morador de rua brasileiro é homem, alfabetizado e tem parentes que moram na mesma cidade, revela pesquisa

Uma pesquisa encomendada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e divulgada nesta terça-feira (29), em Brasília, revela o perfil dos moradores de rua brasileiros. Os pesquisadores escolheram cidades com mais de 300 mil habitantes e saíram a campo entrevistando moradores de rua com mais de 18 anos de idade. A principal conclusão do estudo é que as pessoas em situação de mendicância são em sua maioria homens alfabetizados e jovens, que abandonaram suas casas por problemas com álcool ou drogas ou por terem perdido o emprego.

Uma equipe formada por 1.479 pesquisadores e assistentes sociais saiu a campo para entrevistar pessoas que habitam calçadas, praças, rodovias, parques, viadutos, postos de gasolina, praias, barcos, túneis, depósitos e prédios abandonados, becos, lixões, ferro-velho ou que pernoitam em instituições como albergues e abrigos. No total, foram ouvidos 31.922 pessoas, espalhados por cidades médias e por quase todas as capitais brasileiras, com exceção de São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre.

Cada entrevistado respondeu a um questionário com cerca de 20 perguntas. A análise dos dados recolhidos revela que 82% da população de rua é formada por homens. Mais da metade (52%), têm entre 25 e 44 anos de idade. Quanto à raça, 39,1% se declararam pardos, 29,5% se disseram brancos e 27,9% se identificaram como negros.

Do total de indivíduos pesquisados, 48,4% estão fora de casa há mais de dois anos. Dois em cada três (69,6%) dormem na rua, enquanto 22% costumam dormir em albergues ou outras instituições. Outros 8,3% costumam alternar, ora dormindo na rua, ora dormindo em albergues.

Surpreendentemente, as pessoas em situação de mendicância se revelaram escolarizadas. Do total, 74% sabiam ler e escrever e quase a metade (48,4%) disseram ter completado o ensino fundamental.

Os principais motivos pelos quais essas pessoas passaram a viver e morar na rua se referem aos problemas de alcoolismo e/ou drogas (35,5%); desemprego (29,8%) e desavenças com familiares (29,1%).

A pesquisa põe em xeque a noção de que moradores de rua são pessoas que abandonaram suas cidades de origem e não mantêm nenhum vínculo familiar. Uma parte considerável (58%) se disse originária da mesma cidade em que se encontra (58%) ou de locais próximos. E mais: 51,9% dos entrevistados afiramaram possuir algum parente que residindo na mesma cidade onde se encontram.

Entre os que já moraram em outras cidades, 45,3% se deslocaram em busca de novas oportunidades de trabalho. O segundo principal motivo foram as desavenças familiares (18,4%).

Questionados sobre o que fazem para sobreviver, 70,9% dos entrevistados disseram exercer alguma atividade remunerada. Apenas 15,7% revelaram que a sua principal fonte de renda são as esmolas.

Quanto ao tipo de atividade exercida, os moradores de rua pesquisados se dividem em catadores de materiais recicláveis (27,5%), flanelinhas (14,1%), trabalhadores da construção civil (6,3%), limpeza (4,2%) e carregador/estivador (3,1%).

Como se pode imaginar, os níveis de renda dessa parcela da população são baixos. Mais da metade dos moradores de rua entrevistados (52,6%) disseram ganhar entre R$ 20 e R$ 80 por semana.

A grande maioria (88,5%) disse não receber qualquer benefício de órgãos governamentais, tal como o Bolsa Família. Um em cada cinco entrevistados disse que não consegue se alimentar todos os dias, por falta de recursos financeiros. Mas quatro em cada cinco afirmaram conseguir fazer pelo menos uma refeição por dia.

Boa parte das pessoas em situação de mendicância utiliza os serviços de saúde pública, como hospitais e postos de saúde. Nessas ocasiões, 75% deles possuem pelo menos algum documento que comprove a sua identidade. A maioria tem carteira de identidade (58,9%), certidão de nascimento ou casamento (49,5%) e CPF (42,2%).

A pesquisa reevelou que os moradores de rua em geral são pessoas saudáveis. Apenas um terço deles afirmou ter algum problema de saúde. A doença mais freqüente é hipertensão (10,1%), seguida por problemas psiquiátricos (6,1%) e HIV/aids (5,1%).

Questionados sobre que tipo de discriminação sofrem por viver em situação de rua, os entrevistados disseram que freqüentemente são impedidos de entrar em certos locais, tais como lojas, shopping centers e meios de transporte coletivo.

Com base nos dados levantados nessa pesquisa, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome diz que pretende elaborar políticas públicas para lidar com o problema da mendicância. A idéia é estabelecer um plano nacional para ajudar as cidades médias e grandes a combaterem o problema, e quem sabe reintegrar essas pessoas à sociedade. Em cada uma das 71 cidades pesquisadas, o total de pessoas em situação de rua gira em torno de 0,061% da população local.

fonte: MDS