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Só para meninas

É com muita alegria que nós, líderes do Underfaith no Brasil lançamos ontem, dia 26, um blog totalmente dedicado às mulheres, já que elas têm um universo, temas e necessidades que são só delas.
O UNDERFAITH SÓ PARA MENINAS, é um canal aberto que em breve se seguirá com comunidades no ORKUT e até encontros pelo Brasil. Assim, eu queria convidar SOMENTE VOCÊS MULHERES a conhecerem o canal e interagirem com ele. Eu como homem já não tenho muito a dizer...e prometo ‘tentar’ não ler. Hahahaha
Então vamos lá... cliquem aqui e leiam agora mesmo os recadinhos da Kami pra vocês!

O Queee?!? Eu e uma prostituta?!!

Era uma tarde quente, mas com certeza não era uma tarde como as outras, todos gritavam e impacientes empurravam a mulher pelas ruas, corremos, xingamos e praguejamos contra a honra dela. Uma rua mais e o encontramos, abaixado, escrevendo no chão. Jogamos a mulher onde nossos olhos furiosos pudessem fita-los ao mesmo tempo, e aos berros os que lideravam a multidão deram a sentença da mulher “errante”. O homem abaixado levanta sua cabeça sutil e calmamente e diz: “Sim, vamos condená-la, tiraremos a vida dela, comece então aquele que no meio de vocês não tiver pecado!” e voltou ao que estava fazendo. Eu, perplexo com a resposta daquele homem, saí como todos os outros da multidão sem dizer uma palavra, apenas pensando se aquela mulher, aquela prostituta, seria igual a mim, ou se pior ainda, eu seria igual a ela, pecador, errante? Se ela for mesmo igual a mim, eu não teria o direito de julgá-la, nem um pouco, eu teria as mesmas chances que ela de errar e de acertar. Este pensamento me assombrou durante muito tempo, mas isso me fez respeitar um pouco mais quem está próximo de mim, e me fez reconhecer que cresceria como homem e como semelhança de DEUS.

"...movimentos, heróis, lideres, religiões, ideologias sempre tiveram boas intenções mas nunca bastaram, as pessoas sempre se anularam diante destas coisas se esconderam, acharam motivos nos outros e nunca em si mesmo pra justificar a própria mediocridade e defeito."(Rodrigo - Dead Fish)

ouvindo: Red Sam - Flyleaf

Sobre ciscos e traves de madeira

Há um famoso quadro pendurado em muitas repartições corporativas dos Estados Unidos com a seguinte frase “O segredo do sucesso é saber a quem culpar por seus erros”. Na verdade o quadro é bem irônico; parte de uma coleção com várias outras imagens e frases satíricas sobre carreira e trabalho. Entretanto, eu gostaria de estimular você a pensar sobre quanta realidade existe nessa frase, e de que maneira, do ponto de vista de um cristão, podemos compreendê-la.
Isso de transferência de culpa é um assunto que raramente é abordado entre os cristãos; afinal de contas isso é papo de psicólogo, e psicologia não tem nada a ver com cristianismo, certo? – Errado!!! – Por isso vamos ler um trecho da bíblia em Mateus capítulo 5:
“Por que é que você vê o cisco que está no olho do seu irmão e não repara na trave de madeira que está no seu próprio olho? - Como é que você pode dizer ao seu irmão: "Me deixe tirar esse cisco do seu olho", quando você está com uma trave no seu próprio olho? - Hipócrita! Tire primeiro a trave que está no seu olho e então poderá ver bem para tirar o cisco que está no olho do seu irmão.”

Quase todo mundo que lê esse texto tende a se focar no fator hipocrisia; mas eu quero convidar você a analisar esse trecho da bíblia por um novo ângulo: o psicanalítico! Pois eu tenho uma forte inclinação a pensar que os cristãos que transferem suas culpas ou julgam indiscriminadamente os outros, não o fazem por “maldade”, senão por uma condição psicológica, e conversando com líderes mais experientes eu pude confirmar duas linhas de pensamento bastante contundentes. Vamos a elas:

1 – Moralismo em excesso é umas das principais máscaras para esconder a depravação
É muito comum notar entre os crentes, aqueles que vêm imoralidade em tudo, e num espetáculo de hipocrisia desmedida atacam os costumes, as culturas, as maneiras e as diferenças das outras pessoas. Contudo, mais do que uma crise de santidade, de um modo geral, esses moralistas têm sempre em oculto algum tipo de depravação, que esperam mascarar atacando a tudo que denota imoralidade... E é de onde surge a segunda linha de pensamento:

2 – Transferir a culpa a outras pessoas alivia a nossa própria
Aqui cabem exemplos clássicos de crentes que antes de consultar seus irmãos em particular, como sugere a Palavra de Deus, tornam públicos o erro do outro, difamando-o e transferindo para este o peso de sua culpa, mágoa o peso que o consome.

...

Na realidade neste ponto o cristianismo e a psicologia convergem para uma mesma afirmativa: a de que devemos reconhecer o nosso pecado, mágoa ou culpa para que possamos nos ver livre desta condição. A Palavra de Deus é maravilhosa ao dizer que se nós confessarmos o a nossa culpa Deus é fiel e justo em nos perdoar a ponto de lançar nossos erros num mar de esquecimento. É também a Bíblia que diz que enquanto nós escondemos a nossa culpa vivemos com peso a ponto de nos consumirmos por dentro.

Quando vivemos o perdão e experimentamos da alegria de se libertar de toda a nossa culpa aprendemos como nos livrar também da trave de madeira que nos impede de enxergar a nós mesmos; é também quando notamos que o cisco no olho do outro é tão curável quanto. A ponto de chamarmos nossos irmãos em particular para lembrá-los de que em Cristo, podemos ser restaurados e libertos de toda a culpa!

Non-Churched

Há alguns meses atrás eu vinha de um congresso missionário e me encontrei com o David Pierce num vôo para S.Paulo; não tivemos muita oportunidade pra conversar, mas ele não me deixou sair do terminal antes de me presentear com uma cópia de seu livro "Rock Priest" (ainda não traduzido para a língua portuguesa). No livro, vários testemunhos malucos, que por muitas vezes já tivemos a oportunidade de ouvir da boca dele, mas em algum momento especial, um termo, que em português não possui uma tradução literal, me chamou muito a atenção: “Non-Churched”, algo que soa como “sem igreja”, mas que na minha ótica é algo que excede a condição de simplesmente não ser membro de uma igreja local.

Em todos esses anos em viagens pelo Brasil e América Latina eu pude conhecer diversos grupos de orientação cristã que trabalham na órbita das igrejas locais. Quase sempre esses grupos são constituídos por jovens, que uma vez indignados com as doutrinas ou a liturgia de suas congregações, buscam uma espécie de refúgio nestes grupos alternativos, quase sempre sem um modelo hierárquico ou eclesiástico bem definido.

Na maior parte do tempo a história desses grupos de “sem-igreja” se origina do encontro de pessoas que há algum tempo perderam vínculos com as “igrejas formais”, e por causa disso, a retórica é quase sempre a mesma: a falência da instituição, a hipocrisia cristã e o caráter vicioso e egocêntrico das lideranças.

O que me preocupa não é o fato desses grupos orbitais ou dessas igrejas-satélite não estarem compartimentadas, organizadas em níveis hierárquicos ou estabelecidas entre quatro paredes; mas o fato de que o produto dessas discussões raramente ser devolvido às igrejas na forma de instrução, melhoria ou edificação. Ou seja, o grupo se ocupa com críticas, pleitos e discussões que nascem e se encerram no grupo, que permanece neste mesmo termo e conceito: “Non-Churched”.

Estou definitivamente convencido de que Deus não tem interesse nessa retórica indignada desenfreada, mas numa palavra-chave muito nova em nossos ministérios: MOBILIZAÇÃO. Mais do que em serviço missionário, plantação de ministérios ou em milhares de congressos revolucionários Deus está firmemente interessado na Igreja, na renovação de pensamento, na reciclagem de conceitos que possam servir a um mundo que não pára de mudar e no intrínseco desejo de salvar os perdidos, custe o que custar.

Deus está interessado pela Igreja.